Erva-mate


A planta foi classificada pelo naturalista francês August de Saint-Hilaire, por ocasião de sua estada no Brasil, e publicada em l822, em Paris. Na América do Sul, a Erva-mate desenvolve-se nas regiões sub-tropicais e temperadas: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Bolívia, Peru e Equador. Cresce, espontaneamente, onde observa-se a presença de pinheiros e imbuia.

No Brasil, a área de concentração da planta compreende os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Minas. No Rio Grande do Sul a zona ervateira encontra-se, principalmente, ao norte do vale do Jacuí, onde trinta e seis municípios gaúchos dedicam-se à exploração dos ervais, como Palmeira das Missões, Santo Ângelo, Ijuí, Venâncio Aires, Getúlio Vargas e Cruzeiro do Sul.

É possível que a Erva-mate tenha surgido há cerca de 70 milhões de anos, quando do aparecimento do grupo das fanerógamas - vegetais superiores que possuem raiz, caule, folha, flor, fruto e semente. Provavelmente, surgiu numa forma mais primitiva, evoluindo para as formas como hoje a encontramos. De especial valor nutritivo e medicinal, foram encontradas, em análises bioquímicas na erva-mate as seguintes substâncias: alcalóides (cafeína, metilxantina, teofilina e teobromina), taninos (ácido fólico e ácido cafeico), vitaminas (A, B1, B2, C e E), sais minerais (alumínio, cálcio, fósforo, ferro, magnésio, manganês e potássio), proteínas, glicídeos, lipídeos. Além dessas características, observam-se alguns efeitos fisiológicos, que segundo o Dr. Doublet são: “Elimina a fadiga, estimulando a atividade física e mental; atua sobre a circulação, acelerando o ritmo cardíaco e harmoniza o funcionamento bulbo-medular; não produz insônia, atuando diretamente sobre o sistema locomotor; atua sobre o tubo digestivo, ativando os movimentos peristálticos do estômago e dos intestinos favorecendo a evacuação e a micção; acelera a digestão, eliminando as perturbações gástricas; é um anticonsumidor, sendo um verdadeiro dinamógeno. As propriedades medicinais citadas são inúmeras, como atuação sobre cólicas renais, neurastenia, depressões nervosas e fadigas cerebrais em geral. O uso interno e externo como cataplasma teria curado entorses e úlceras crônicas. É um ótimo remédio para a pele, regulador das funções do coração e da respiração, tônico do sistema muscular e nervoso, além de reparar as carências orgânicas que irão se refletir no psiquismo; não apresenta contra-indicação.” (Kaspary, l991) Ainda, segundo esse autor, há informações diferenciadas quanto ao povo que teria iniciado o uso sistemático da Erva-mate. Para alguns teria iniciado de 10 mil anos a.C. até o início da Era Cristã, com os indígenas do Peru, pertencentes à dinastia dos Incas; para outros, teria sido com os Quichuas, índios que habitavam o Peru após os Incas, e servindo também de alimento básico para os Guaranis que residiam nas regiões afluentes dos rios Paraguai, Paraná e Uruguai.

Além da função nutritiva e medicinal, os índios utilizavam-na como oráculo, para fins de proteção e aconselhamento espiritual. Provavelmente por isso, na época da colonização espanhola na América do Sul, o uso da erva foi amplamente condenado por autoridades civis e religiosas. A partir daí, transcorreu um longo período de tentativas no sentido de destruir essa tradição. Felizmente, estas foram tentativas frustradas, apesar de terem dizimado muitos índios e ervais. Mas, a força e a persistência indígena acabou por vencer os jesuítas, que renderam-se e, a partir de então, passaram a estimular o uso do mate e a desenvolver técnicas de plantio e cultivo e, também, organizar o comércio do produto. Eles mantiveram o monopólio até serem expulsos das Missões, em 1767, transferindo-o para a Coroa. Com a proclamação da Independência do Paraguai, o ditador Francia (l815-1840) estabeleceu o monopólio estatal da erva-mate. Com isso, houve “o fomento da indústria ervateira no sul do Brasil, onde imperava a livre iniciativa, isenta das constrições políticas, que embaraçavam as comunicações do Paraguai com os países vizinhos.” (Correa Filho, 1957) O uso da erva em forma de chimarrão, como nós gaúchos utilizamos, com cuia, bomba e chaleira de água quente, tem sua origem nos guaranis. Antes disso, os índios costumavam mascar as folhas da erva. A palavra MATE origina-se do termo MATI, que na língua quichua significa CUIA. Na linguagem guarani era chamado CAIGUÁ: CAÁ = erva; I = água e GUÁ = recipiente. Então, Erva-mate significa recipiente para água da erva. A essência floral atua no sistema nervoso, desintoxicando-o e refazendo as sinapses para melhor receber a vibração das flores subseqüentes. Ela equilibra o funcionamento entre os dois hemisférios cerebrais. Segundo Gurudas, tem uma grande indicação em todas as doenças mentais e também no Mal de Alzheimer. Na prática clínica observou-se a ação em depressão, pânicos, fobias, problemas digestivos, constipação intestinal, labirintite, enxaquecas, impotência sexual. Quando tomada diretamente da solução-estoque, age no cansaço físico e fadiga mental.

Porém, o grande trabalho da Erva-mate é realizar um trabalho arqueológico no indivíduo, colocando-o frente a frente ao seu núcleo primordial de desequilíbrios. Essa ação mais profunda observa-se quando a pessoa já está tomando há meses a essência. No nível emocional, o floral dessa planta acorda o sentimento de tranqüilidade, generosidade, equanimidade, igualdade e responsabilidade. Dissolve o sentimento de solidão, medos e ódios, restabelecendo nosso vínculo de amor e compaixão conosco e com nossos semelhantes. Passamos a nos sentir “bem acompanhados”, pois restabelecemos o Casamento Sagrado com nosso Eu Superior e com todos os seres ao nosso redor. As flores da Erva-mate lembram uma singela grinalda de noivas. No nível espiritual, ela fornece proteção, ativando o Amor e a Sabedoria. Essa planta de inestimável valor para o nosso povo do Sul, além das qualidades anteriormente descritas, ajuda-nos a resgatar e transitar, não só através da essência floral, mas também através do ritual do chimarrão, pelas fases do desenvolvimento psico-sexual até a etapa da transcendência.

O floral da Erva-mate é a essência básica de todas as formulações compostas do Sistema Florais do Sul.

  • Nome científico: Ilex Paraguariensis
  • Nome comum:: Erva-mate
  • Família:Aquifoliaceae
  • Virtude: amor, fraternidade, igualdade, equanimidade, compaixão
  • Desarmonia:medo, ódio, raiva, solidão

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Foto da flor de Erva-mate
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Solução-estoque de Erva-mate